Psychobilly o que é!
Nos anos 70, a música passava pela pior fase de sua existência, grandes astros haviam morrido como Eddie Cochran, Buddy Holly, outros foram presos, a exemplo de Chuck Berry e Jerry Lee Lewis, ou estavam completamente afastados da mídia.
Poucos ainda tentavam sobreviver tocando em pequenas casas de shows, a música estava decadente e as novas bandas, cheias de firulas, faziam aqueles solos gigantescos e a simplicidade da música não existia mais, discotecas tomavam conta de tudo a musica mecânica começava a crescer.
Com o surgimento do punk rock no final dos anos 70, a essência começou a voltar aos poucos, afinal, sua proposta inicial era resgatar o bom e velho rock & roll de apenas três acordes, o que era considerado uma forma de protesto contra a estagnação musical da época. Os punks protestavam contra tudo e todos.
No meio desta bagunça, a cena underground tomou vários rumos distintos e foram criados muitos sub-estilos na cola do punk. Um deles foi o ‘psychobilly’ que, sem muita complicação, era uma mistura do rockabilly dos anos 50 com a rebeldia do punk rock dos anos 70.
Para entender esta fusão, basta esquecer o sentimentalismo típico do rockabilly e colocar um pouco de raiva e atitude ao som, também comum ao punk.

Embora a banda The Cramps tenha representado forte inspiração naquele momento de transição, a primeira banda que realmente transmitia o caráter psychobilly foi The Meteors, formada no Sul de Londres, em 1978.
Por volta de 1982, com a abertura do "Klub Foot", os psychobillies fizeram muito além do que seguir suas bandas cultuadas. Adotaram um estilo próprio, usando roupas diferenciadas, curtindo um clima de horror e agressividade.

Bandas como Guana Batz, Demented Are Go, Batmobile e King Kurt surgiam cada vez mais no circuito psychobilly que se espalhava para o resto do mundo, embora nunca alcançando um certo auge de popularidade. Mas, ninguém estava preocupado com isso; o lance era a diversão acima de tudo.
Criou-se em torno deste novo estilo musical toda uma cultura que preserva um lado extremamente doentio em sua postura, buscando para sua inspiração temas de terror, sexo, violência, bebedeira e mais tudo o que fosse escatológico e tenebroso.
Hoje em dia, o psychobilly está muito bem enraizado em diversos países como Rússia, Dinamarca, Holanda, Alemanha, Espanha, EUA, Japão e Brasil, entre outros.
Ao longo dos seus 20 e poucos anos, o estilo foi sofrendo mutações, conforme ia subvertendo outros estilos e adquirindo outros elementos dos mesmos. Isso gerou divisões dentro do próprio psychobilly. Algumas bandas mantêm o som mais clássico e fiel aos anos 50. Outras têm em sua influência mais metal ou hard-core, ou podem ser confundidas com bandas góticas. E algumas misturam uma batida melódica das bandas punks da Califórnia.
Não demorou muito para o psycho invadir territórios brasileiros. Muitos fatores influenciaram a chegada do estilo no Brasil: a cena rockabilly crescia rapidamente nos anos 80, bandas como Coke Luxe, João Penca e os Miquinhos Amestrados faziam uma releitura as raízes do rock, com temas atuais, e o p

unk invadia os porões da casas noturnas undergrounds.
Em 85, surgem no ABC paulista os Kães Vadius, com doses altas de malicia e maldade misturadas com muito terror em suas letras. Foram os precursores do psychobilly nacional. Logo surgiram muitas outras bandas como K-Billy’s, S.A.R., Missionários, A Grande Trepada, Cervejas, The Krents...
Atualmente o Psychobilly Nacional já alcança ouvidos no exterior, voltando as atenções do mundo para a nossa cena, atuante e cada dia mais forte. Os Catalépticos foram os primeiros a lançarem seus discos fora do Brasil e a realizar turnês pela Europa, junto às

consagradas bandas do gênero, abrindo assim uma porta para outras como A Grande Trepada, Kães Vadius e Limbonautas, que já figuram em coletâneas gringas de psycho.
Sangue novo foi injetado nas veias do cadáver! Novas bandas surgem em todo planeta. A Internet sem dúvida teve muita importância, pondo fim às fronteiras e possibilitando o intercâmbio entre os psychos.
E assim segue a carruagem, ou melhor, o côche-funerário, que leva a todo lugar esse estilo morto-vivo que arrebanha a cada dia mais e mais fanáticos.
Nada de política, nada de religião: o psychobilly está acima de tudo isso.
OBS: texto de
Luis Teddy